2026 é o ano em que a relação Brasil-Itália-Europa muda de patamar - para os dois lados da equação. De um lado, o acesso ao mercado se amplia: o acordo UE-Mercosul entrou em aplicação provisória em 1º de maio. De outro, as regras de entrada ficam mais rígidas: o CBAM europeu passou à fase plena em janeiro e o AI Act aplica suas primeiras sanções a partir de agosto. Nesta edição de agosto, o Observatório reúne os movimentos que mais importam para empresas e instituições que atuam, ou querem atuar, entre os três mercados.
Em 29 de abril, a Comissão Europeia aprovou o pagamento da 9ª e penúltima parcela do PNRR italiano - 12,8 bilhões de euros, desembolsados em 4 de junho. A Itália soma agora 166 bilhões de euros recebidos (~85% da dotação total) e 416 metas e objetivos cumpridos (73% do previsto). O governo chama a fase de "l'ultimo miglio" - a última milha antes do prazo final de execução, em 31 de agosto de 2026.
A Lei de Orçamento 2026 substituiu os créditos fiscais Transizione 4.0/5.0 (que esgotaram os recursos em novembro de 2025) por um novo Iperammortamento: majoração de até 180% no custo fiscal de investimentos em bens materiais e digitais ligados à Indústria 4.0/5.0, para investimentos realizados entre 1º de janeiro de 2026 e 30 de setembro de 2028. A plataforma do GSE para comunicações preventivas abriu em 12 de junho de 2026.
As linhas estratégicas de internacionalização 2026 (MIMIT-MAECI) ampliam o "novo Made in Italy" - mecânica avançada, farmacêutica, aeroespacial, tecnologias de transição - somado aos pilares tradicionais (moda, agroalimentar, mobiliário, automotive). Em 24 de junho, Confindustria e o ministro Adolfo Urso lançaram o projeto "Connext Filiere Aerospazio, Difesa e Sicurezza": a meta da OTAN de 3,5% do PIB em defesa até 2035 pode representar até +51 bilhões de euros (+3% do PIB) se os investimentos forem canalizados para cadeias produtivas italianas.
Em entrevista à Milano Finanza (17/07/2026), o presidente da Confindustria, Emanuele Orsini, quantificou o custo da burocracia italiana: 3 anos para abrir um estabelecimento na Itália, contra 6 meses nos Estados Unidos, com €80 bilhões/ano em custos burocráticos adicionais. Como contraponto, citou a ZES Única (Zona Econômica Especial), que com €5,5 bilhões em incentivos gerou respostas em 60 dias, 71 mil empregos e €30 bilhões em investimentos. Na assembleia da Confindustria (26/05/2026), a premiê Giorgia Meloni respondeu propondo um "cantiere comune" para simplificação regulatória.
O acordo foi assinado em 17 de janeiro de 2026, em Assunção. Sua parte comercial (iTA - Acordo Comercial Interino, de competência exclusiva da UE) está em aplicação provisória desde 1º de maio de 2026, após ratificação dos quatro países do Mercosul. A UE eliminará tarifas sobre ~95% dos produtos do bloco sul-americano; o Mercosul, sobre 91% dos bens / 85% do valor das importações europeias, protegendo 57 indicações geográficas italianas.
O Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (Reg. UE 2023/956) passou à fase definitiva em 1º de janeiro de 2026. Importadores de cimento, ferro, aço, alumínio, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio na UE precisam ser "declarantes CBAM autorizados". Primeira compra de certificados: fevereiro de 2027. Isenção de minimis: 50 toneladas/ano.
Nesta data entram em vigor as obrigações de transparência (art. 50), o regime sancionatório (até 35 milhões de euros ou 7% do faturamento global) e os poderes de fiscalização sobre modelos de IA de uso geral. O "Digital Omnibus" (acordo político de maio, aprovado pelo Parlamento em junho) adiou apenas as obrigações para sistemas de alto risco - para dezembro de 2027 e agosto de 2028 - mas não as regras de transparência.
Em março de 2026 foi apresentado o "Industrial Accelerator Act", com requisitos "Made in EU" e de baixo carbono em compras públicas. O Circular Economy Act é esperado ainda em 2026 (meta: 24% de materiais circulares até 2030). O CRMA fixa benchmarks de 10% de extração, 40% de processamento e 25% de reciclagem dentro da UE, com teto de 65% de dependência de um único país terceiro para matérias-primas críticas.
O Brasil oficializou seu Plano Nacional de Hidrogênio Verde (~R$ 18 bi em 5 anos, hub em Pecém-CE). A Itália persegue o SouthH2 Corridor (3.300 km, operação prevista para 2030). Na COP30, Itália, Brasil, Japão e Índia lançaram o compromisso "Belém 4X" para quadruplicar biocombustíveis e hidrogênio verde até 2035, com protocolo MASE-MMA assinado em novembro de 2025.
O eixo agritech Itália-Brasil é avaliado em US$ 21 bilhões. A Itália oferece tecnologia de precisão e maquinário; o Brasil, mais de 150 milhões de hectares cultiváveis. O vinho italiano no Brasil cresceu 13,9% em valor em 2025 (US$ 49,2 milhões), tornando o país o 5º maior fornecedor. A bioeconomia italiana já vale € 433,3 bilhões - 2ª maior da UE.
O CBAM torna a descarbonização da siderurgia brasileira um imperativo comercial, não apenas ambiental. Parcerias recentes de aço verde via hidrogênio (como o projeto Brasil-Alemanha de fevereiro de 2026) sinalizam um modelo replicável com a Itália, especialmente em gestão de recursos hídricos e mobilidade sustentável.
Capacitação gratuita para PMEs sobre impactos operativos do acordo UE-Mercosul, com foco em ferramentas práticas para exportadores.
"O grande desafio do Brasil, especialmente de estados como Mato Grosso, é deixar de exportar só o produto bruto e passar a transformar isso aqui dentro. E, para isso, precisa de tecnologia e máquinas mais acessíveis."
"Quando você zera tarifas dos dois lados, você amplia o comércio. O europeu vende mais aqui e o Brasil vende mais lá fora. Todo mundo ganha."
Roadshow do Convention Bureau Italia dedicado ao mercado brasileiro, em São Paulo.
Buenos Aires, São Paulo e Brasília. Ver detalhes no Radar de Oportunidades.
Foco em energia, infraestrutura sustentável e hidrogênio verde no Porto de Pecém.
O quadro regulatório europeu de 2026 - CBAM em fase plena, AI Act com sanções a partir de agosto, e um acordo UE-Mercosul em aplicação, mas ainda contestado judicialmente - redefine, ao mesmo tempo, as condições de acesso e as exigências para operar entre Brasil, Itália e Europa. As oportunidades bilaterais são reais e crescentes, dos combustíveis sustentáveis ao agroalimentar. Mas elas só se transformam em cooperação concreta quando existe preparação técnica, regulatória e institucional. É exatamente esse o espaço do PAS.